Américo Santos Homepage


Durante 14 anos sonhei em fazer esta viagem. O percurso à muito que estava decidido, pois ao longo de todos estes anos tinha adquirido muita informação de pessoas que haviam ido ao Cabo Norte em todo o tipo de veículos.

Porquê o Cabo Norte? Todos aqueles que, tal como eu, já nasceram com espírito aventureiro, sonham um dia poder viajar até ao fim do mundo ou seja onde a terra acaba. O Cabo Norte é um dos muitos locais mágicos existentes no nosso planeta que permite a realização desse sonho.

 

Porquê a Hayabusa? Confesso que inicialmente cheguei a pensar em adquirir uma moto turística, afinal de contas sempre seriam mais de 2 semanas e 12 mil quilómetros. Conforto exigia-se! Mas por fazer questão de demonstrar que esta viagem podia ser feita por qualquer tipo de moto, a utilização da Hayabusa era perfeita. Como já havia feito viagens longas de Busa, chegando inclusive a cumprir etapas de mais de 1000kms por dia, a ideia de ir com ela ao Cabo Norte não me assustava, bem pelo contrário só a tornava ainda mais aliciante e distinta das demais realizadas.

 

Os Preparativos Os preparativos para a viagem foram sendo desenvolvidos tendo sempre em conta os principais objectivos do projecto:

1.      Demonstrar que qualquer tipo de moto poderia realizar a viagem;

2.      Demonstrar que a viagem pode ser feita sem orçamentos proibitivos, logo ao alcance de todos.

 

Sabia, através de relatos, que para se conseguir realizar uma aventura como esta seria necessário de dispor em média de uma quantia a rondar os 5000€. Esta quantia engloba os gastos da viagem em si e preparação da moto. Quanto mais antiga fôr a moto, tanto maior terá de ser o investimento. Como a minha Hayabusa era de 2000 a preparação teve de ser um pouco mais profunda ou seja mais “cara”.

A chave do sucesso para que a conta final fosse pequena é o tempo e alguma paciência para pesquisar na NET o material que necessitamos.

O Ebay é sem dúvida o melhor meio de o conseguirmos. Através dos vulgares leilões podemos reduzir em muito a despesa. Só a título de exemplo, o jogo de pastilhas sinterizadas que utilizei custaram-me 18€. Se a isto juntar a montagem que sou eu que a faço, devo ter poupado 40€ apenas neste produto. O pneu para trás de origem para a Hayabusa custa cerca de 270€ (BT56J) se eu vos disser que comprei um Metezeler Roadtec Z6 novo para trás e paguei por ele 60€…”Viver não custa, custa é saber viver”

Claro que isto só é possível se não estivermos pressionados em termos de tempo. Caso alguém esteja a planear efectuar uma viagem deste género, uns 6 meses antes comece a comprar tudo aquilo que necessita. Aconselho também o proprietário a aprender a fazer a manutenção básica á sua moto. Estes conhecimentos além de nos pouparem grandes quantias em dinheiro são de extrema importância quando viajamos.

 

Tempo de preparação A preparação começou a sério a partir de JAN de 2008. Antes já havia adquirido muita informação através de pesquisas na NET.

Delineei o percurso e tentei saber informações acerca de campings e de locais de interesse para visitar. De pouco me valeram durante a viagem, visto nunca saber os kms que conseguiria fazer em cada dia. Mas achar um Camping num país nórdico não tem qualquer dificuldade.

O Gps é um must para todos aqueles que pretendem fazer viagens longas. Quantas vezes não precisámos de encontrar com uma certa urgência um posto de reabastecimento? Na Dinamarca, Suécia e Noruega precisei de recorrer a ATMs para levantar as coroas. E que fácil que foi! Digo mesmo que 80% do trabalho do viajante sai facilitado com a aquisição de tão útil ferramenta. E que dizer da proliferação de radares por essa Europa fora. O simples facto de termos acesso á localização exacta dos mesmos através dos POIs (Points Of Interest) é uma salvaguarda para a nossa carteira. 

 

 

 

                                          A PARTIDA

 


                             

Domingo dia 29JUN dirigi-me ao Cabo da Roca para ai fazer a minha partida de um modo simbólico. Á minha espera tinha alguns amigos, onde aproveitámos para tomar uns cafés e falarmos sobre o plano de viagem.

Segunda-feira dia 30JUN dirigi-me ao Luís Tuning (VFXira) para colocar pneus novos Continental Contiforce que havia adquirido a um bom preço. O Luís disse-me que não conseguiria fazer a viagem toda com eles.

Acreditem que aquelas palavras não mais saíram da minha mente. Bem, lá vou ter que gastar mais de 300€ num pneu novo para trás…

 

 


 

1º DIA 02JUL

 

A noite foi passada sem dormir ás voltas na cama tal era a minha excitação. O dia amanheceu nublado com nuvens ameaçadoras de chuva. Apesar de me ter levantado cedo, perdi imenso tempo na arrumação da bagagem em virtude de no dia anterior ter trabalhado até tarde. Depois da carga acondicionada, olhei para o pneu semi-novo que havia retirado da minha Hayabusa e pensei nas palavras do Luís Tuning. Porque é que não levas o pneu? Mas ir carregado com um pneu…Coloquei-o em cima da balança e pesava 5 Kgs. Eu peso 75 Kgs, se pesasse 80 Kgs não podia deixar os 5 Kgs em casa. Certo? Decidi levá-lo comigo!

A estrada era sobejamente conhecida, até Valhadolid não seria necessário mapa ou GPS em virtude das muitas viagens aos Pinguinos. Obras na estrada fizeram-me perder tempo. Já perto de Burgos, fui forçado a encostar perto de placas de mudança de direcção, porque nessa altura o GPS ficou sem recepção. Aguardando que ele se decidisse porque caminho me levar, não levou 15 segundos que ouvisse uma sirene atrás de mim. Virei-me e estavam dois Policias a desmontarem das suas motos. Expliquei-lhes o sucedido mas eles não se convenceram. Um deles foi ver a minha matrícula e disse-me num tom ameaçador: No puedes parar aqui! Dónde quieres ir? Quero ir para Irún mas não quero pagar. Aaaaah! no quieres pagar, entonces seguirme! Passados alguns 20 Kms com eles sempre a fazerem-me sinal para me manter encostado á traseira das suas motos, comecei a pensar que iam me levar para esquadra. Xiiii logo no primeiro dia a ter problemas com a Policia… De repente começam os dois a apontar-me a estrada que seguir e a fazer-me adeus. Agradeci-lhes imenso e senti um enorme alívio. Chega de emoções por hoje! Parei perto das 20h e fiquei a dormir no Camping Picon del Conde, que era calmo e com boas condições.

 

 


                                           

2º DIA 03JUL

 

O 2º dia foi muito complicado devido a um acidente com um TIR perto de Irún este havia capotado e ocupava quase toda a faixa de rodagem. Apesar de estar em moto foi difícil conseguir ultrapassar toda aquela situação por causa das malas laterais que me dificultavam a manobra por entre o trânsito.

A entrada em França foi feita debaixo de chuva e continuou assim até Limoges. Por vezes a chuva era tanta que perdia quase por completo a visão daquilo que se passava á minha frente. Por duas vezes pensei em parar para não arriscar a continuar a fazer kms em condições tão perigosas. Finalmente e após tomar a E-9 para Paris foi possível aumentar o ritmo de viagem, mas como já era tão tarde resolvi procurar um camping no GPS para passar a noite. A indicação que tinha era que o camping mais próximo situava-se a cerca de 150 kms de distância. Nem pensar! Fui então procurar um sítio para dormir na localidade mais próxima - Argenton. Ao chegar ao centro da Vila encontrei uma placa de camping e resolvi ir investigar para ver se valia a pena. Foi a maior das surpresas o Camping era excepcional e nem sequer estava referenciado no TomTom. Passava no seu interior um rio e até uma pequena queda de água havia. Lembro-me dessa noite adormecer a ouvir o rio. Considero o melhor camping de toda a viagem. Chama-se Les Chambons e coloquei-o logo no GPS para partilhar.

 

 

 

 

3º DIA 04JUL

 

Por ter perdido muito tempo com a chuva na etapa do dia anterior, decidi sair mais cedo o que se tornou bem difícil devido a tão aprazível local que havia encontrado. Pensei em fazer a viagem através das pitorescas vilas Francesas. Desta maneira economizava nas portagens e via algo mais que uma simples auto-estrada. As vilas são de facto muito bonitas e numa delas tomei numa esplanada lindíssima o meu café au lait avec un croissant. Com o passar do tempo e com tão poucos kms ainda realizados resolvi abandonar a ideia de querer conhecer mais umas quantas vilas e entrei na AE para Paris. Ao aproximar-me desta grande metrópole fiquei deveras impressionado com o emaranhado de vias existentes e a quantidade de trânsito que nelas passam. Foi aqui que dei graças ter um GPS porque caso contrário… A Torre Eiffel é uma obra magnífica. 

Segui para a Bélgica onde numa estação de serviço conheci 3 motards na idade dos 50 anos que se dirigiam para SPA para assistir a uma corrida de motos clássicas. Assim que me viram reparei que não mais pararam de falar e apontar para mim. Acercaram-se e perguntaram-me 

para onde eu ia: Cabo Norte disse eu! De imediato um deles deu um salto como tivesse ganho algo. Este ao reparar no pneu suplente em cima da minha moto havia apostado com os outros que eu iria para muito longe. Tiraram várias fotos para mostrar aos amigos que pelo caminho tinham visto uma Hayabusa que se dirigia ao Cabo Norte.

Na Bélgica os termómetros acusavam 31,2º C o calor convidava mesmo a andar de moto, pena o asfalto ter tão fraca qualidade. Poucos kms depois e já estava a entrar na Holanda. Mais difícil foi sair de lá em virtude de mais um acidente, túneis e obras obrigam-me a percorrer dezenas e dezenas de Kms sem poder passar dos 70 km/h. Por fim cheguei á Alemanha e foi ai que finalmente o falcão pôde esticar as asas.

É incrível o poder de aceleração deste predador mas tive de me controlar pois além das malas montadas tinha de pensar em poupar os pneus. Encontrado o camping onde iria passar a noite, pedi ao proprietário se me podia guardar o pneu até ao meu retorno ao que facilmente este acedeu. Podia tê-lo deixado em França, mas resolvi jogar pelo seguro, além do mais se fizesse a substituição em França esta seria bem mais cara do que na Alemanha. Esta viria a revelar-se uma decisão acertada visto que o pneu traseiro chegou á Alemanha quase nas lonas, nesse dia gastei apenas 20€ na substituição.

 

 

 


 
 
 
 
 
 
4º DIA 05JUL
 

Hoje era o dia em que finalmente iria entrar nos países nórdicos. Iria ser um dia longo e pouco produtivo em termos de kms devido ás ligações de ferry.

Na autobahn até Puttgarden apanhei um trânsito muito intenso. Parecia que muitos Alemães tinham escolhido aquele dia para iniciar as férias. Chegado a Puttgarden procurei um hipermercado para me abastecer do máximo de comida possível para os dias que iria passar nos países nórdicos. Agora com a moto bem carregada era tempo de me dirigir ao terminal para apanhar o primeiro dos 2 ferries. O terminal estava entupido com um trânsito incrível. A sorte era que estava de moto, pois temos uma linha só para nós e ainda por cima passamos á frente tanto na entrada como á saída do ferry. Na compra do bilhete não se recomenda que se opte pelo bilhete de ida e volta pois é usual os Dinamarqueses fazerem promoções ficando desta forma o bilhete de volta mais barato. Fiquei surpreendido com a quantidade de motos para embarcar. Todas elas bem carregadas e de diferentes modelos. As pessoas por estas paragens são muito amáveis e nota-se uma certa empatia para com os motards, por isso não achem estranho que de vez em quando sejam interpelados por alguém curioso em saber de onde vêm e para

 onde vão. Eu estava a ser muito concorrido, não tanto pela moto, mas pela chapa de matrícula que ninguém conhecia.


O ferry é um C.C. Vasco da Gama ambulante. É incrível a quantidade de lojas, cafés, restaurantes etc. Demora cerca de 45 min e é um prazer realizar a viagem naquelas condições. Chegado á Dinamarca percorri pouco mais de 130 kms até Helsingor onde ai iria apanhar mais um ferry para Helsingborg na Suécia.

Reabasteci a moto na totalidade na Alemanha para não ter de cambiar dinheiro na Dinamarca, mas foi uma má opção visto a gasolina nos países nórdicos ser mais barata.

Estavam perto de 30ºC na Dinamarca e deu logo para constatar que o asfalto nos países nórdicos era bem mais abrasivo. Com tanto calor assim era ver os Dinamarqueses nas estações de serviço seminus.

A aquisição do bilhete do ferry para a Suécia pode ser feita em euros. Chegado á Suécia dirigi-me o ATM mais próximo para levantar o dinheiro suficiente para os dias que iria permanecer no país. Só rezava para que a máquina não me comesse o cartão. De qualquer maneira, mesmo que o tivesse feito já estava prevenido para essa eventualidade. O seguro morreu de velho! Foi ao reabastecer a moto que constatei que é muito fácil fazer o câmbio de coroas para euros. Por ex: 150 SEK são aproximadamente 15€. É fácil é só retirar o algarismo das unidades.

Nesse dia ainda aproveitei para fazer mais uns kms em direcção a Estocolmo. "Fechei a loja" ás 20h no primeiro dos excelentes Campings Suecos. Os campings na Suécia além de baratos (o mais caro foi 15€) têm óptimas condições e grande parte deles localizam-se nas margens de lagos ou á beira-mar.

 

5º DIA 06JUL

 

O 5º dia foi um dia de extremos: o pior e o melhor. O dia amanheceu frio e com nuvens e o meu objectivo era conhecer Estocolmo. Poucas dezenas de kms depois de ter abandonado o Camping as condições atmosféricas pioraram ainda mais. Agora além de um frio intenso chovia torrencialmente. Tinha ainda cerca de 300 kms pela frente até Estocolmo quando cheguei a ponderar cancelar a visita. Esses 300 kms transformaram-se em um martírio. A água era tanta que entrava por qualquer fresta mínima que tivéssemos no vestuário. As minhas luvas que diziam waterproof viraram 100% wet e em consequência disso deixei de ter sensibilidade nos dedos. Parei numa estação de serviço e bebi alguns 3 cafés muito quentes. Lembro-me de chegar a pensar que se fazer aqueles 300 kms estava a ser tão difícil, como seria fazer os cerca de 2000 kms que ainda me restavam até ao Cabo Norte? 

Com o aproximar da cidade de 

Estocolmo tudo mudou. A chuva parou e o céu carregado de nuvens deu lugar a um bonito céu azul. Fiquei deveras impressionado com a beleza arquitectónica da cidade. Depois da curta visita que fiz fiquei com pena de não a ter podido conhecer melhor. Considero Estocolmo como uma das cidades mais lindas da Europa. Imperdível!

Finda a visita era tempo de fazer kms e se possível prolongar um pouco mais o turno de condução para colmatar o tempo perdido da manhã. Resultou! Apesar do frio não choveu mais e isso ajudou-me e muito. Eram 21 horas quando dei entrada no Camping Sjotorpet a 20 kms de Sundsvall. Depois da tenda montada e a corrente da moto oleada era tempo de tratar de mim. Fui tomar um banho bem quente, jantei e lembro-me de apesar de já passar da meia-noite a clareza do dia permitia-me escrever o resumo desta etapa no exterior da minha tenda. Vencido pelo cansaço fechei-me dentro do meu Häglofs para baixas temperaturas, coloquei a venda nos olhos e adormeci a ouvir o mar.

 

                                            6º DIA 07JUL

 

Foi uma noite super bem dormida. Depois do mau bocado que havia passado na manhã do dia anterior, sentia-me bem e cheio de energia. Foi um alívio ter verificado que todos os meus esforços para não adoecer terem sido um sucesso. Adoecer em viagem e em condições atmosféricas extremas estava fora de questão.

Fiz-me á estrada numa manhã fria mas de céu azul e com poucas nuvens. A paisagem deslumbrava em cada quilómetro percorrido. Naquelas condições o prazer de rolar de moto havia voltado e fazia-me sentir como que abençoado. Se pudesse parava de 5 em 5 kms para um kodak moment, mas não podia ser. Como de costume muitas motos a 

passarem por mim em sentido contrário. Ainda deu para rolar 

vários kms com um grupo de 3 Alemães, mas a fome apertou e parei numa área de descanso para almoçar. Depois da fome saciada, fiz-me á estrada e 40 kms mais á frente vi a moto de um dos Alemães bastante destruída com os companheiros ainda no local.

Cheguei á fronteira da Finlândia em Tornio. A partir daqui vigoravam novamente os euros. A maioria dos Motards não atravessa a fronteira para a Finlândia preferindo continuar para Norte pela Suécia. Eu não os censuro, viajar pela Lapónia é bem mais lento. As estradas estão repletas de radares (todos eles bem visíveis) o que obriga a que façamos uma média muito baixa. Queria tentar fazer o máximo de kms possíveis para no dia seguinte tentar o assalto final ao Nordkapp, mas o máximo que consegui foi ir até Rovaniemi. Fiquei no Camping da cidade instalado á beira-rio. Óptimas condições e com uma vista privilegiada sobre a cidade.

 

 

 

                                          7º DIA 08JUL

 

Nessa manhã acordei bem cedo ás 06h e algo estranho me chamou de imediato á atenção: a temperatura dentro da tenda estava anormalmente baixa. Assim que abri o zipper da tenda o ar gélido na face fez-me temer pelos 800 kms que tinha pela frente até Nordkapp.

Fiz-me á estrada em direcção a Inari. Era um daqueles típicos dias de Inverno rigorosos que não nos apetece sair da cama quanto mais de casa. Chovia e um termómetro indicava +5ºC, ou seja estava a viajar com uma temperatura perto dos 0ºC (deslocação do ar). Sabia que tinha de fazer kms custasse o que custasse, mas o problema é que não conseguia fazer mais de 50 kms de cada vez sem ter que parar numa bomba de gasolina para beber bebidas quentes. Lembro-me na segunda vez que parei ao puxar a manete da embraiagem não consegui fazê-lo e a moto foi abaixo. Foi então que resolvi usar toda a roupa que tinha nas malas para me proteger do frio, até a roupa suja. Isto fez com que conseguisse fazer mais kms sem arrefecer tão rápido. A partir de Inari a chuva deu lugar a um sol radioso e a uma temperatura bem mais suportável. Até a paisagem que até á altura estava a ser um pouco decepcionante, em virtude daquilo que havia lido sobre a Lapónia, deu lugar a uma flora e fauna estonteantes. Parecia que havia viajado no tempo e que me encontrava agora numa região inóspita onde a natureza não tinha sofrido qualquer influência humana. São visões como esta que nos recompensam pelos maus momentos passados. A Lapónia é mágica! Foi nesta altura que as renas começaram a aparecer com mais frequência. No início fartei-me de rir e parava muitas vezes para observar estes animais, mas depois comecei a sentir algum receio pelo comportamento imprevisível dos mesmos. Não são de confiança, nunca sabemos aquilo que vão fazer. Tanto podem ficar especados 5 min no mesmo local como de repente arrancam a toda a velocidade como se tivesse aparecido um predador qualquer. O problema é quando fogem na tua direcção e tu te apercebes que o animal vai colidir contigo. Não nos podemos esquecer que pesam cerca de 70kg. Lembro-me de uma vez uma Rena se colocar a fugir a meu lado de olhos esbogalhados a olhar para mim. Se eu acelerava ela acelerava, se travava ela travava, que atitude tão estranha. Nunca pensei vir a fazer um comparativo de arranque: Hayabusa Vs Rena da Lapónia. E se falar dos Alces então estou a falar de animais com 3 metros de alturas e mais de 600 kgs. A barriga deles fica á altura do nosso capacete.

A chegada a Karigasniemi e a consequente entrada na Noruega é feita numa estrada secundária bastante estreita num constante sobe e desce, onde podemos aumentar a velocidade devido á ausência por completo de radares. Foi nesta estrada que me deparei frente a frente com um urso. Foi um misto de excitação e de apreensão pelo porte do animal e pela inexistência de quaisquer grades entre nós. Antes da viagem tinha lido que havia um aumento significativo na população de ursos . Com isso tinha aumentado o número de encontros indesejados com humanos. Como não fazia questão alguma de virar refeição para um destes predadores, transportava comigo dois tipos de armas, um spray de gás pimenta(Soft Kill) e uma faca de mato com uma lâmina de quase 30 cms(Hard Kill). Felizmente ele seguiu o seu caminho e eu o meu. O tempo continuava óptimo e resolvi parar em Karasjok para almoçar, as montanhas á minha volta cobertas de neve deslumbravam. Através do GPS tentei descobrir um ATM para levantar as NOK Norueguesas. Estava a levantar dinheiro enquanto um casal Alemão admirava a matrícula da minha moto. Disse-lhes que era Português e que tinha vindo de Lisboa. De repente começaram a 

rir-se e eu sem perceber o motivo. Ele chama o amigo dele que estava numa BMW e disse-lhe: tens vindo todo o caminho a gabares-te que vens desde a Suíça até ao Nordkapp e este nosso amigo veio desde Lisboa – Portugal. Foi uma gargalhada QUASE GERAL visto o nosso amigo Suíço não ter achado muita piada ao reparo.

Fiz o último reabastecimento e preparava-me para os últimos 100 kms. Só que entretanto o tempo já havia piorado novamente. Um frio glacial e uma névoa intensa prejudicavam-me a visão. A humidade no ar era tanta que parecia estar a chover. Até ao Nordkapp ainda temos que atravessar 4 túneis, dois deles com mais de 4 kms de comprimento. Como têm uma iluminação deficiente e 9% de inclinação, com a agravante de no pavimento haver bastante água, dai  tornar- se perigoso para as duas rodas. Como o tempo estava tão horrível e com tão pouca claridade decidi ficar no Camping Nordkapp para ver se no dia seguinte teria melhor sorte para as fotos. Desta feita decidi alugar um Bungalow com ar condicionado, uma recompensa por ter conseguido chegar até ali em condições atmosféricas tão más.

 

                                          

8º DIA 09JUL

 

Nessa manhã acordei tarde. Dei-me ao luxo de nem sequer ligar o despertador. Afinal de contas estava a apenas a 24 Kms do destino e do local onde iria tirar as fotos para a posterioridade. Á primeira espreitadela pela janela do bungalow reparei que o tempo estava igual ao dia anterior.

Os últimos 24 Kms foram percorridos com um tempo simplesmente horrível. Chovia imenso e o frio parecia como que agulhas a espetarem-me o corpo. As rajadas de vento eram de tal maneira fortes que por vezes tinha de conduzir com o meu corpo e moto inclinados contra o vento. Havia neve por todo o lado e renas. Claro! A paisagem era desoladora com pouca vegetação. Ao percorrer os últimos kms naquelas condições não parava de pensar que aquilo era o pico do Verão no Nordkapp. Se em Julho é assim imagino a partir de Outubro… Mas por incrível que pareça vivem ali algumas pessoas, aliás a cidade de Honningsvag fica a poucos kms de Nordkapp.

De repente, por entre a névoa visualizo uma placa: Nordkapp. Estava repleta de autocolantes deixadas pelos númerosos visitantes de todo o mundo que ali quiseram deixar a marca da sua presença. Parei e tirei uma série de fotos junto á mesma, mas não era aquele o ponto mais importante de toda a viagem, esse 

ficava a cerca de 200 mts dali e para lá chegar ainda teria de pagar mais uma portagem de cerca de 20€. Ou seja só para conseguirmos chegar ao globo feito em ferro para tirarmos uma foto teremos de pagar 3 vezes: 2 num dos túneis (ida e volta) e 1 para ter acesso ao local. O parque estava repleto de autocaravanas e de autocarros de excursões. Havia poucas motos no local, não mais que 5. Era “engraçado” o aspecto de todos aqueles que haviam ali chegado de duas rodas. A nossa aparência espelhava bem as marcas dos muitos kms realizados, das condições atmosféricas adversas enfrentadas, do cansaço acumulado fruto de muitas horas em cima de uma moto. No entanto era vermo-nos todos nós a sorrir uns para os outros sem praticamente dizermos uma palavra. Palavras para quê se eu sabia exactamente aquilo que cada um estava a sentir naquele momento.

O acesso ao globo estava congestionado com a quantidade de pessoas ali presentes pacientemente esperando a sua vez para reclamar para si só o monumento para a foto. Muitas  levavam bandeiras que as desfraldavam no momento da fotografia. Assim que o faziam as pessoas batiam palmas e tentavam adivinhar o país a que pertenciam.

Finalmente havia chegado a minha vez de subir as escadas que dava acesso ao monumento. Inconscientemente, assim que lá cheguei, a primeira coisa que fiz foi tirar as luvas para tocar aquele globo de ferro e imediatamente uma catadupa de sentimentos me percorreram a mente. Fiquei algum tempo assim a sentir aquele metal gelado nas minhas mãos. A emoção do momento tocou-me forte…

 

 


 

O REGRESSO A CASA

 

Após o Cabo Norte atingido era tempo de retornar a casa. A partir de agora era sempre rumo a Sul em direcção a paragens mais quentes. Teria de atravessar ainda a Noruega e depois fazer exactamente o mesmo percurso até Portugal – Póvoa de Santa Iria. A chuva e sobretudo o frio continuavam a não dar descanso tornando a viagem desgastante. Graças aos treinos físicos que costumo fazer diariamente estes funcionavam como uma potente “vacina” contra qualquer gripe ou constipação durante a viagem. As minhas defesas naturais nunca vacilaram já não posso dizer o mesmo da minha Hayabusa. Depois de uma paragem para reabastecer, ao engrenar a 1ª velocidade o selector foi completamente abaixo. Aquilo que para mim seria o pior pesadelo durante a viagem, estava de facto a acontecer, ter um problema mecânico exactamente onde não queria, nos países nórdicos.

Depois de muitos kms a praguejar com os Deuses, resolvi acalmar-me e procurar a população mais próxima para tentar resolver o problema. Foi ai que conheci o Sr. Lennart, natural de Pajala – Suécia que foi como que um anjo vindo dos céus para me ajudar.

Com a moto parada e desligada, ora rodando para a frente ora para trás verifiquei que conseguia engrenar todas as 6 velocidades. Descansei! Caixa partida não pode ser por isso é um problema com a mola do selector que leva esta á posição normal sempre que engrenamos qualquer velocidade.

Assim que o Sr Lennart me abriu as portas da sua garagem e vi que havia todo o tipo de ferramentas bem como macacos hidráulicos enchi-me de esperança de conseguir terminar a viagem. Como tinha tirado mais tempo de férias do que aquele que precisava, não me sentia pressionado nessa questão.

O Sr. Lennart mandou vir a mola por correio e nem 24 horas demorou a chegar. Depois foi só montá-la com a ajuda de macacos hidráulicos de maneira a conseguir deslocar o motor os cms necessários para a saída e entrada de um dos parafusos da tampa.

Durante todo este tempo o Sr. Lennart deixou-me fazer uso da sua Motorhome Americana. Passávamos o dia juntos, ora a ver os locais de maior interesse ora nos seus armazéns a contemplar a sua maravilhosa colecção de veículos da II guerra mundial em perfeito estado de conservação. Ao longo dos anos este havia comprado uma série de veículos, alguns deles que praticamente nem haviam sido usados. Todos eles funcionavam e aquilo que mais impressionava eram os acessórios médicos/socorro que eram usados naquela altura. Durante anos havia estudado a II guerra mundial em livros, ali estava a contemplá-la ao vivo naquele maravilhoso museu privado.

Este homem deu-me uma verdadeira lição de vida. Ajudou-me sem me conhecer e sem querer nada em troca. Também ele era Motard e dizia que sabia exactamente aquilo que era viajar de moto e a completa exposição aos elementos meteorológicos. “A true Motor biker help another Motor biker no matter what. If I had a problem with my bike I am sure you would help me too” esta era a sua frase favorita.

Depois da reparação efectuada pedi ao Sr. Lennart para me levar ao mecânico local para saber quanto é que me teria ficado esta reparação caso não tivesse conseguido resolver. Depois de explicar aquilo que a moto tinha ele avançou-me com um número: 2500€ (no mínimo). A mola custou-me 6€ e uma enorme dor de cabeça.

Ninguém gosta de ter problemas e eu não sou excepção, mas se não tivesse tido esse problema nunca teria tido o prazer de conhecer o Sr. Lennart, por isso lembrem-se que nem tudo é mau e que até das coisas más por vezes podem advir coisas boas.

 O resto da viagem foi feito normalmente sem qualquer percalço. A última grande chuvada aconteceu ao chegar ao terminal de Ferry de Helsingor. A partir do momento que sai em Puttgarden o tempo melhorava com o passar dos Kms. Ai chegado era tempo de dirigir-me ao Camping para resgatar o pneu que lá tinha deixado ficar. Foi uma aposta ganha visto que gastei apenas o dinheiro de uma montagem de pneu.

Em França a temperatura ultrapassava os 30º. Já em Espanha, que costuma ser ainda mais quente, pelo contrário a temperatura rondava os 26º. A entrada foi feita em Vilar Formoso, onde poucos kms depois comecei a ver algumas motos carregadas em direcção á concentração de Faro. Para todos eu era mais um que me dirigia para Faro mas se observassem melhor veriam que não era bem assim. Todos eles estavam imaculados em cima das suas motos reluzentes enquanto eu estava completamente “cravado de mosquitos” em cima de uma moto suja, com o meu “rabo quadrado” fruto de 12000 kms em 15 dias. Posso vos dizer que este levou quase uma semana para voltar á sua forma arredondada. O meu objectivo era deixar toda a carga não necessária em casa para de seguida seguir para Faro mas foi um erro. Assim que me sentei no sofá deixei de ter controlo sobre o meu corpo e terminou ali a aventura.

 

Momentos marcantes da viagem Momentos houve que jamais esquecerei. O principal quando subi ao pedestal do monumento do Cabo Norte e senti nas minhas mãos nuas o metal gelado daquela escultura que tantas vezes tinha visto em fotos e filmes e que me fez sonhar durante anos um dia lá chegar.

O momento da partida em que coloquei a moto a trabalhar dentro da garagem…o som daquele motor…o cheiro da gasolina...a aventura ia começar.

Depois da avaria mecânica sofrida ter resolvido a situação de maneira a que conseguisse voltar pelos meus próprios meios.

Os dois dias de frio intenso e chuva que passei, na ida a Estocolmo e durante o percurso Rovaniemi a Inari na Finlândia.

 A entrada em Vilar Formoso e o sentimento de missão cumprida apesar dos ainda 300kms por cumprir.

 

Locais que jamais esquecerei A Lapónia só por si vale a viagem.

A linda cidade de Estocolmo merecia no mínimo uma semana para poder explorá-la convenientemente. 

Pajala - Sweden com rios cheios de rápidos, cascatas e onde convidam um estranho para tomar café em casa com direito a lá ficar a noite.

As paisagens lindas da Suécia em especial a norte de Sundsvall.

Os fjordes da Noruega, pena foi que por causa do frio e da chuva não tenha podido apreciar convenientemente as suas paisagens.O pôr-do-sol em Rovaniemi.

Paris a torre Eiffel e o seu arc du triomphe

 

Kms por dia Em média fazia perto de 800kms por dia. A maior tirada foi cerca de 1000kms e a menor foi de 700kms.

O segredo está em acordar bem cedo para que desta forma possamos contornar todos os imponderáveis que tenhamos ao longo do dia e assim efectuar os kms pretendidos. Por vezes chegava a perder 1h30m só para levantar a tenda e arrumar tudo na moto. Quantas vezes cheguei a arrumar o material de campismo todo molhado dentro das malas aproveitando depois a pausa do almoço para pôr tudo a secar.

 

 

Pausas  Saia ás 07h30 e por volta das 9h parava para reabastecer e pequeno-almoço. Depois fazia kms até ao almoço onde efectuava a maior pausa do dia. O almoço nunca tinha hora definida, digamos que era entre as 12h e as 15h. Durante a tarde fazia apenas 2 pausas de cerca de 30min cada. E geria o tempo de maneira a que às 20h00 começasse a procurar para passar a noite. Houve um dia que devido ao muito frio e á muita chuva terminei apenas às 22h

 

 

Velocidades As velocidades realizadas até á entrada no Ferry para a Dinamarca raramente passaram dos 140km/h com consumos soberbos de 5,2lts/100. Exceptuando uma tarde em que deixei a ave de rapina esticar as asas até aos 270km/h, nada demais para quem já viu o ponteiro do velocímetro atingir a estrondosa marca de 340km/h. Algo que só os afortunados proprietários de Hayabusas têm o privilégio.

Nos países nórdicos não convém abusar do acelerador. Na Suécia e Dinamarca podemos ir até aos 100km/h em AE mas na Noruega é 90 km/h. Vê-se pouca Policia, mas se tiverem o azar…a multa é pesada chegando inclusive á prisão na Noruega. Há imensos radares na Finlândia e em menos quantidade na Suécia e Noruega. Estes encontram-se visíveis e há sinais que antecedem a sua presença. Mas a maneira como estão colocados tornam-se inofensivos às motos. Ao verificar que está a exceder a velocidade e se prepara para ficar na foto SORRIA pois a foto é tirada de frente.

 

 

 

Os meus pensamentos  Com tiradas diárias em média de 10horas em cima de uma moto, temos tempo para pensar em muita coisa. Quando o tempo esteve horrível cheguei a pensar em parar para dar por findo o dia ás 10h a.m. Mas há sempre aquela esperança que passados alguns kms o tempo melhore e que volte o prazer de andar de moto. Mas não houve um único dia que não me tivesse sentido como que abençoado por ter a oportunidade de estar ali fazendo aquilo que mais gosto, viajar de moto.

 

 

 

O que me surpreendeu – Quando pensei em fazer esta viagem ao Cabo Norte sabia que não iria ser fácil e estava ciente das inúmeras dificuldades porque iria passar. Mas não estava á espera de encontrar pessoas que levassem essas dificuldades tão ao extremo e decidissem abraçar o desafio de uma viagem de milhares de kms em cima de uma bicicleta.

Á chuva, ao frio, completamente molhados e alguns deles nitidamente com sinais de hipotermia, pedalando devagar como se tivessem em modo automático.

Granjeei uma enorme admiração por todos aqueles com quem tive o prazer de partilhar a estrada que através da força das suas pernas e a da sua enorme força interior lograram chegar ao Cabo Norte.

 

 

 

 

Sustos Sustos tive poucos se se pode dizer que ter um problema na caixa de velocidades a cerca de 6mil kms de distância no meio do nada não nos assusta.

Mas susto mesmo foi uma rena que fugiu na minha direcção e que me ia mandando a Hayabusa ao chão. Para não falar de um urso perto de Karigasniemi depois de passar por uma das muitas lombas existentes naquela estrada.

 

Surpresas desagradáveis Por mais incrível que vos pareça o maior entrave que tive á realização deste projecto, não foi a questão monetária nem os muitos quilómetros que tinha pela frente, mas sim questões burocráticas em Portugal.

No início de DEZ de 2007 fiz a alteração da morada na minha carta de condução. Disseram-me que iria levar cerca de 4 meses até estar pronta. Lembro-me na altura de não ter ficado preocupado, afinal de contas havia  tempo suficiente para a ter comigo quando iniciasse a viagem em Julho. Puro engano, esta levou mais de 11 meses até ficar pronta. Uma vergonha!!!!
 

 Conselhos - A todos aqueles que ainda não foram mas planeiam ir ao Cabo Norte, deixo-lhes alguns conselhos:

1 - Não vão limitados em termos de dias, deixem bastantes dias de reserva para possíveis imponderáveis. Uns dos factores que condicionam o número de kms a fazer diariamente são as condições atmosféricas. Contem sempre com chuva e muito frio a partir da Suécia.

2 - Um bom entendimento por parte de todos os participantes na viagem é fundamental de modo a conseguirem uma disciplina rígida em termos de horários. Levantava-me todos os dias ás 06:30h e normalmente acabava por volta das 20h. Mesmo com tantas horas disponíveis, por vezes tinha de continuar a conduzir depois das 20h.

3 - Se optarem pelo campismo, como eu fiz, levem material de excelente qualidade e garanto-vos umas noites bem quentinhas e confortáveis mesmo que as condições meteorológicas não colaborem.

4 - Por último, não encarem a ida ao Cabo Norte como uma simples viagem de moto mas como uma prova de resistência física e mental.

 

Conclusão Considero ter sido uma experiência enriquecedora a todos os níveis. Atravessei Portugal, Espanha, França, Bélgica, Holanda, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Finlândia e Noruega. Fiz perto de 12 000kms nos mais variados tipos de condições atmosféricas: sol, chuva, frio, neve, desde temperaturas de 32ºC em Espanha aos +2ºC na Noruega.

Não foi apenas uma viagem de 15 dias e de cerca de 12 000kms, foram dias de aventura em contacto estreito com outros povos, outras culturas, outros costumes com a natureza a brindar-me diariamente com paisagens indescritíveis. Jamais esquecerei…

Hoje, e já com as contas feitas, posso dizer-vos que gastei  pouco mais de 1500€ na realização desta viagem de quase 12 000kms com 15 dias de duração, bem longe da média de 4 a 5 mil euros gastos pela maioria.

Assim considero o objectivo da minha viagem ao Cabo Norte plenamente atingido, consegui mostrar que o Mototurismo está ao alcance de qualquer um, independentemente da moto que possui ou do tamanho da sua conta bancária.

A estrada é o limite!

Quero agradecer ao Sr. Presidente da Junta de Freguesia da PÓVOA DE SANTA IRIA,  Sr. Jorge Ribeiro por todo o apoio que me concedeu.

                                                 

 

 

Também á revista DaMoto na pessoa do Sr. Pedro Oliveira que me apoiou na realização da viagem.

 

Um muito obrigado a todos e até a uma próxima aventura…

 

 

 

                                   Para voltar CLIQUE  AQUI